caso patakas

UMA PEQUENA HISTÓRIA

para reflectir e comentar



Uma PME do sector da metalo-mecânica ligeira dedica-se, essencialmente, à produção de componentes para a indústria

automóvel. Uma parte significativa da sua produção é constituída por peças obtidas pela estampagem a frio de chapa de

aço inoxidável, fixadas depois a tubos do mesmo material por meio de soldaduras que exigem alguma tecnicidade por

se realizarem em atmosfera protegida por Árgon.

Em consequência da falta de trabalhadores na região, o proprietário decidiu, há meses, admitir, a título experimental,

um imigrante lituano o qual foi, como todos sempre haviam sido, sujeito a um período de aprendizagem de três

semanas. Ocorre, entretanto, que o lituano (Patakas de apelido), no fim da primeira semana, estava aparentemente apto.

Efectivamente, tinha produzido 11 peças na primeira sexta feira, quinto dia da sua formação e tudo fazia crer que o seu

grau de conhecimento da execução da tarefa, era suficiente. De resto, os experientes soldadores da empresa produziam,

em média, 16 peças por dia.

O desempenho de Patakas mereceu alguns comentários do encarregado, mais povoados de ameaças veladas aos

soldadores portugueses do que de aplauso ao lituano. Dos outros soldadores, apenas o mais jovem do grupo, ao sair

para o almoço, pousou a mão no ombro do novo companheiro, sorriu e ergueu o polegar. O lituano sorriu também.

Na semana seguinte, Patakas soldou, sem defeitos, 90 peças. Dezoito de média, mas 21 na quinta feira e 23 na sexta

feira.

Na segunda feira seguinte, ao apresentar-se ao trabalho, Patakas, com grande dificuldade de expressão a que o

encarregado correspondia com idêntica dificuldade de entendimento, mostrou-lhe o esboço do desenho de uma

alteração no dispositivo de sujeição das peças enquanto decorria a soldadura. Com alguns gestos mais alguns riscos

com uma ponta de arame na chapa de ferro da bancada, o encarregado aceitou a experiência e, nessa tarde, o protótipo

do novo posicionador foi ensaiado por Patakas. Uma pequena modificação foi ainda introduzida.

O resultado de segunda feira não conta. O tempo foi consumido com o ensaio e Patakas não produziu mais do que 9

peças. Na terça feira inicia-se a prova real. Há quem acredite e quem desconfie dos resultados da mudança. No fim do

dia, Patakas tinha produzido 23 peças mas a verdade é que encolheu dez minutos ao seu intervalo para almoço.

Na quarta, na quinta e na sexta feira, Patakas concluiu 96 peças que, juntas às 23 soldadas na terça feira, permitiram

atingir o número surpreendente de 119 peças em quatro dias. Quase trinta peças diárias, número que só foi ultrapassado

duas semanas depois quando Patakas, depois de aumentar a altura da bancada em 3 centímetros, fixou a sua produção

em 36 peças por dia. Entretanto, a produção dos soldadores portugueses, que atingira as 20 peças diárias com os

dispositivos antigos, subiu para níveis idênticos aos do imigrante lituano, quando, um mês e meio depois, com os novos

dispositivos, cada um tinha ajustado a altura da sua bancada à sua estatura.

Há quinze dias, um jornal da região, fez uma reportagem sobre os imigrantes de Leste e de África aplicados na

indústria, na construção civíl e nas obras públicas. O repórter

1 teve conhecimento do caso Patakas e decidiu inquirir

directamente o empresário de quem obteve uma resposta breve.

- ..........

- Ah, sim, bem sei, é um tipo esperto !

Do encarregado, a resposta foi mais elucidativa:

- ...........

- É fácil de perceber, ora essa. Não sabia falar português e, por isso, não perdia tempo a conversar.

- Mas ouvi dizer que tinha proposto uma modificação no trabalho

- Pois propôs e nós aceitámos logo. Era o aperto das peças ... eu já tinha pensado nisso há muito tempo mas,

sabe

como é


, há sempre outras coisas para fazer...

- Também me falaram da altura da bancada de trabalho ...

- Claro, aí,

sabe como é, cada um tem de procurar o seu jeito.

Agora, reflicta sobre a diversidade de problemas suscitados por esta história.

Estruture o seu comentário à volta destes aspectos:

2

1. A competitividade das PME e a qualificação dos trabalhadores e dos quadros

2. Como suprir as carências de escolaridade dos trabalhadores e pessoal de enquadramento ?

3. A escolaridade e a formação como formas de libertar a Inovação

4. As atitudes do empresário, do encarregado, dos trabalhadores referidos no caso relatado

5. Em meia dúzia de palavras: se fosse o empresário, como tinha encarado esta situação ?

6. Como avalia o comportamento do jovem trabalhador ?

1. Foi o repórter quem descobriu que o cidadão lituano Jhonas Patakas, protagonista desta história, era licenciado em Engenharia por uma

universidade do seu país. Provavelmente a de Kaunas.


2
. Sem exclusão de outros, já se vê.

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